Saúde Animal

DERMATOSE SEBORREICA

02/06/2010

Por Dr. Jorge Kachan

A seborréia é resultado de um defeito crônico da queratinização e da secreção alterada das glândulas sebáceas. Na maioria dos casos a seborréia não é a doença de base, mas sim secundária a um fator principal. Em alguns casos a seborréia ocorre sem que seja encontrada uma doença específica. Neste caso denomina-se: Seborréia idiopática, ou seja , sem causa definida. Este tipo de seborréia é mais comum em determinadas raças como: Springer spaniels , Cocker spaniels , Whest Highland white terriers , Doberman , Irish terriers , Golden retrivers , Dachshunds , Shar-peis , O surgimento do processo ocorre por volta de 2 anos de idade. Há uma forma hereditária de seborréia idiopática, que foi observada em Schnauzers miniatura, denominada síndrome dos comedões dos Schnauzers A seborréia idiopática caracteriza-se por formação de placas secas ou escamas que aderem aos pelos. Escamas e material sebáceo se acumulam em diversas partes do corpo, principalmente em: Abdomem , pregas cutâneas , orelhas , cotovelos e jarretes. Pode ocorrer envolvimento generalizado. A pele seca e descamação excessiva estão presentes em 90% dos casos, nos 10% restantes estão observados engorduramento e/ou dermatite seborreica. Quando o engoduramento é grave a queixa principal do proprietário é com relação ao odor desagradável.. A otite externa ceruminosa e a piodermite secundária são comuns ao processo. O grau de prurido é variável. O diagnóstico da seborréia idiopática se dá com base na exclusão de todas as doenças subjacentes. Portanto um exame clínico minucioso é importante para seu diagnósico. A seborréia idiopática, não pode ser curada, mas com o tratamento correto ela pode ser controlada a níveis muito próximos da normalidade. O tratamento da seborréia idiopática, normalmente se prolonga por toda a vida do paciente.


Fonte - http://jorgelkachan.blog.terra.com.br/2010/06/02/dermatose-seborreica/

 
Estudo mostra que exame convencional para diagnóstico de leishmaniose em cães pode apresentar falso resultado positivo, detectando o parasita da doença de Chagas em vez do Leishmania sp.

REAÇÕES CRUZADAS

16/10/2009

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – O destino de cães diagnosticados sorologicamente positivos para leishmaniose é a eutanásia. Mas, de acordo com um estudo realizado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, o diagnóstico unicamente em exames sorológicos – recomendado pelo Ministério da Saúde – pode apresentar falhas devido à possibilidade de ocorrências de reações cruzadas com outros microorganismos.

Segundo a pesquisa, foram analisados cães nos municípios de Botucatu e Bauru, regiões consideradas como não-endêmica e endêmica, respectivamente. O exame convencional - sorologia pela técnica de imunofluorescê ncia indireta (RIFI) pode detectar o parasita Leishmania sp. como o Trypanosoma cruzi, agente que causa a doença de Chagas.

De acordo com professora Simone Baldini Lucheis, pesquisadora científica da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, para evitar falsos positivos seria necessário realizar exames de contraprova, como o exame parasitológico direto e a reação em cadeia pela polimerase (PCR, na sigla em inglês) – uma técnica biomolecular que permite a síntese enzimática in vitro de sequências do DNA.

“O exame convencional para Leishmania pode apresentar resultados falsos positivos pois, no momento do exame, o animal pode ter produzido anticorpos contra outros parasitas que são da mesma família da Leishmania, como Trypanosoma cruzi. Em muitos casos, o animal só está infectado por um deles, mas o exame acusa a presença do outro protozoário” disse à Agência FAPESP.

O trabalho foi publicado na revista Veterinary Parasitology. O estudo é resultado da dissertação de mestrado de Marcella Zampoli Troncarelli, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu, orientada por Simone com Bolsa da FAPESP.

Simone coordena o projeto intitulado “Isolamento e reação em cadeia pela polimerase (PCR) para Leptospira em amostras renais e hepáticas de ovinos sorologicamente positivos e negativos para leptospirose” , que tem apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

Na pesquisa, foram analisadas amostras de 100 cães do Centro de Controle de Zoonoses, em Bauru, área considerada endêmica para leismaniose visceral, e outros 100 cães do Canil Municipal de Borucatu, município considerado indene para a doença.

De acordo com Marcella, como há possibilidade de reações cruzadas à sorologia, objetivou-se com o estudo a elucidação diagnóstica por meio da associação de três técnicas.A RIFI, recomendada pelo Ministério da Saúde, além do exame parasitológico direto, a partir de fragmentos de fígado e baço, e o exame PCR.

“A associação das três técnicas ajudou a identificar os animais realmente infectados por Leishmania. E devido à elevada sensibilidade do PCR foi possível detectçã o de animais que haviam apresentado resultados negativos à sorologia”, disse à Agência FAPESP.

Os resultados do exame sorológico apontaram que 16% dos 200 testes tiveram resultado positivo para ambas as doenças. Nas amostras dos cães de Bauru, 65% dos testes sorológicos foram positivos para Leishmania e 40% para Trypanosoma cruzi. Entre os cães de Botucatu, todas as amostras foram negativas para Leishmania e apenas 4% foram positivas para o parasita da doença de Chagas.

“Quando realizamos o exame parasitológico e o PCR para Leshmania, foram obtidos, respectivamente, resultados positivos para 59% e 76% nas amostras de fígado, e 51% e 72% nas amostras de baço dos cães de Bauru. Nenhuma amostra foi positiva pela PCR para pesquisa de T. cruzi. Estes dados reforçam a ocorrência de reações cruzadas à sorologia", disse”, disse a veterinária, que atualmente faz o doutorado na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp.

Outro problema do exame sorológico, segundo ela, é que o resultado pode apontar também os “falsos negativos” – isto é, o exame resulta negativo, mas na realidade o animal está infectado. “Por estresse, imunodepressã o causada pela doença, ou fatores individuais, o animal pode não produzir anticorpos em níveis detectáveis pelos testes sorológicos. Pela PCR, regristramos um número maior de animais infectados do que a própria sorologia. Ou seja, esse exame elucidou os 'falsos negativos", afirmou Marcella.

Dos 33 cães que apresentavam anticorpos contra ambos os parasitas nos testes sorológicos e também positivos nos parasitológicos diretos e na PCR para Leishmania. “Os resultados indicam que esses cães apresentavam leismaniose", disse.

O emprego associados das três técnicas permitiu uma exatidão elevada no diagnóstico da leishmaniose e da doença de Chagas nos cães avaliados.

Segundo ela, devido à elevada especificida de da PCR, os resultados são mais precisos. “O exame PCR é usado predominantemente em pesquisas, porque é uma técnica cara, embora ao longo dos anos o preço venha se reduzindo. É um exame imprescindível e muito sensível porque ele detecta o DNA do parasita”, disse à Agência FAPESP.

Os resultados do exame sorológico apontaram que 16% dos 200 testes tiveram resultado positivo para ambas as doenças. Nas amostras dos cães de Bauru, 65% dos testes sorológicos foram positivos para Leishmania e 40% para Trypanosoma cruzi. Entre os cães de Botucatu, todas as amostras foram negativas para Leishmania e apenas 4% foram positivas para o parasita da doença de Chagas.

“Quando realizamos o exame parasitológico e o PCR para Leshmania, foram obtidos, respectivamente, resultados positivos para 59% e 76% nas amostras de fígado, e 51% e 72% nas amostras de baço dos cães de Bauru. Nenhuma amostra foi positiva pela PCR para pesquisa de T. cruzi. Estes dados reforçam a ocorrência de reações cruzadas à sorologia", disse”, disse a veterinária, que atualmente faz o doutorado na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp.

Outro problema do exame sorológico, segundo ela, é que o resultado pode apontar também os “falsos negativos” – isto é, o exame resulta negativo, mas na realidade o animal está infectado. “Por estresse, imunodepressã o causada pela doença, ou fatores individuais, o animal pode não produzir anticorpos em níveis detectáveis pelos testes sorológicos. Pela PCR, regristramos um número maior de animais infectados do que a própria sorologia. Ou seja, esse exame elucidou os 'falsos negativos", afirmou Marcella.

Dos 33 cães que apresentavam anticorpos contra ambos os parasitas nos testes sorológicos e também positivos nos parasitológicos diretos e na PCR para Leishmania. “Os resultados indicam que esses cães apresentavam leismaniose", disse.

O emprego associados das três técnicas permitiu uma exatidão elevada no diagnóstico da leishmaniose e da doença de Chagas nos cães avaliados.

Segundo ela, devido à elevada especificida de da PCR, os resultados são mais precisos. “O exame PCR é usado predominantemente em pesquisas, porque é uma técnica cara, embora ao longo dos anos o preço venha se reduzindo. É um exame imprescindível e muito sensível porque ele detecta o DNA do parasita”, disse.

URBANIZAÇÃO DA DOENÇA
A leishmaniose visceral é causada pelo protozoário Leishmania, que necessita do mosquito fletobomíneo (vetor) e de um animal vertebrado (reservatório) para completar o seu ciclo de vida. O cão é o principal reservatório da leishmaniose no ambiente urbano. No entanto, a doença, que pode ser transmitida ao homem, só ocorre por meio da picada do inseto. Segundo Simone, o cão em particular é o principal reservatório do parasita porque o mosquito se adaptou aos ambientes urbanos e passou a utilizar os cães para o repasto sanguíneo.

“A doença era registrada principalmente em áreas rurais, mas nas últimas décadas vem invadindo os grandes centros na medida em que o mosquito vetor tem se adaptado melhor aos ambientes urbanos devido ao desequilíbrio ecológico”, explicou a professora Simone junto ao Programa de Pós-Graduação da FMVZ e ao Programa de Pós-Graduação em Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina de Botucatu, também da Unesp.

Os sinais clínicos nos cães incluem alterações na pele, como nódulos subcutâneos e erosões, úlceras, perda do peso progressiva, hemorragias, diarreia, aumento significante do tamanho das unhas, alterações oculares e articulares, anemia, febre, vômitos, apatia, entre outros.

Simone aponta que maior quantidade do parasita, ocorre principalmente na pele dos cães, facilitando a transmissão do protozoário ao mosquito vetor. “O cão, assim como o gato, é uma fonte de infecção para Leishmania e Trypanosoma cruzi. E, como estão mais próximos do homem – e das crianças –, há perigo de transmissão dessas enfermidades para a população humana”, disse.

Segundo ela, o estudo é importante para a escolha da técnica correta de diagnóstico. “Compreender o ciclo epidemiológico da doença é tarefa de grande importância, pois o problema da leishmaniose não será resolvido apenas com a eutanásia de animais”, destacou.

fonte http://www.agencia. fapesp.br/ materia/11225/ resultados- cruzados. htm

Para ler o artigo Leishmania spp. and/or Trypanosoma cruzi diagnosis in dogs from endemic and nonendemic areas for canine visceral leishmaniasis , de Marcella Zampoli Troncarelli, Simone Baldini Lucheis e outros, clique aqui.